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Friedrich Nietzsche, por uma Filosofia da Alimentação

Comensal, História e Filosofia da Alimentação

Poucos pensadores perceberam com tanta clareza quanto Friedrich Nietzsche que aquilo que ingerimos (e o modo como ingerimos) atravessa a constituição do corpo, do caráter, dos valores e, em última instância, da própria cultura. Nietzsche foi um filósofo que pensou a partir do corpo. Não por acaso, ele próprio foi um homem profundamente marcado por enfermidades: crises gástricas crônicas, enxaquecas, problemas de visão, exaustão nervosa e dores recorrentes acompanharam boa parte de sua vida. Esse sofrimento não o conduziu ao ressentimento, mas a um laboratório filosófico vivo: o próprio corpo tornou-se campo de investigação.

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Platão, a alimentação como prática moral e política

Comensal, História e Filosofia da Alimentação

Platão, muito antes do desenvolvimento teórico-metodológico de uma “filosofia da alimentação” ou “dietética”, dedicava-se a refletir a potência moral dos alimentos e dos hábitos à mesa em meio à ampliação do gosto pela opulência culinária no Período Clássico (sécs. VI a IV a.C.), sobretudo entre as elites atenienses após a tirania de Pisístrato. Essa perspectiva atravessa diálogos como Carta VII, Górgias, A República, Banquete e As Leis, revelando uma coerência notável: o papel central da alimentação na formação de virtudes ético-políticas e a dieta opsofágica (aquele que é dada às iguarias finas) como desvirtuação da dieta terapêutica.

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